A igreja é, ao mesmo tempo, organização e organismo. É estrutura material ao mesmo tempo em que é organismo vivo. Trata de questões materiais, mas também de questões “espirituais”.
A igreja tem, portanto, duas dimensões. A dimensão organismo diz respeito à sua razão de ser, enquanto a organizacional diz respeito à estrutura que permita que ela seja o que deve ser.
Nem sempre estas distinções são tão claras. Aliás, estas duas dimensões, a institucional (igreja como organização) e a espiritual (igreja como corpo) caminham lado a lado e, às vezes, até se misturam.
Vejamos estas duas dimensões e como, por meio de ambas, podemos glorificar a Deus.
- A IGREJA PRECISA SER ORGANIZADA PARA SER EFICIENTE
A primeira vez que a Bíblia fala de Deus já o mostra colocando ordem na casa. É o relato da criação. Deus põe ordem no caos.
A contar pelo que se vê em muitas igrejas, há crentes que acreditam que o Espírito Santo é avesso à ordem, à organização, ao planejamento. Gente que crê que organização não é espiritual.
Ordem de culto, esboço de sermão, orçamento: “Para que isto?” perguntam. Temos que deixar o Espírito Santo livre para atuar, dizem eles.
Nós, porém, cremos que orçamento, planejamento estratégico, capacitação de líderes são atividades que devem fazer parte do dia a dia de uma igreja. A Bíblia de fato diz que Deus não é Deus de confusão. A organização glorifica a Deus.
Três princípios devem balizar as nossas ações como organização:
- A organização deve contribuir para o cumprimento de nossa missão
Gene Getz diz que “o primeiro e mais importante princípio de organização é sempre desenvolver, para a igreja, estruturas que nos ajudarão a atingir os objetivos do Novo Testamento”: Adoração, evangelismo, ensino, comunhão, serviço ao próximo.
A organização não é um fim em si mesma, mas um meio para realizarmos melhor a obra do Senhor.
- A organização deve manter-se simples
Todos nós conhecemos os males da burocracia. Quando as pessoas passam a servir às estruturas.
Há uma relação direta entre simplicidade e crescimento. Igrejas complexas em sua estrutura e processos perdem o ritmo de crescimento e, muitas vezes, decrescem.
- A organização deve ser flexível
O mundo é dinâmico e muitas vezes as nossas estruturas se tornam rígidas. Repensar as estruturas, flexibilizá-las, deve ser a nossa postura. Nada de absolutizá-las.
- A IGREJA PRECISA FUNCIONAR COMO CORPO
Quando Paulo quer falar do funcionamento da igreja, ele faz uso de uma figura: o corpo humano. Ele usa esta figura mais de 30 vezes. Seu objetivo é enfatizar o elemento “vida” da igreja de Cristo.
- Estamos ligados uns aos outros
- Precisamos uns dos outros
- Cada um tem uma contribuição a dar
- Devemos cuidar uns dos outros
- Alegramo-nos e sofremos uns com outros
Enfim, a saúde do corpo, depende do funcionamento adequado de cada parte.
Modelos gerenciais, ferramentas de planejamento, formulações estratégicas, tudo isto pode ser legitimamente utilizado, mas sem esquecermos que a igreja é, em sua essência, organismo, corpo vivo de Cristo.
Igreja é comunidade, é lugar de gente. Gente que precisa de comunhão. Gente que vive num mundo real com problemas reais.
É particularmente esta dimensão da igreja que me empolga e na qual eu estou empenhado em aprofundar-me.
Aliás, eu olho com desconfiança qualquer programa de crescimento numérico que, em contrapartida, não proponha mecanismos de aprofundamento da comunhão.
Creio nas estratégias dos grupos familiares, nas organizações para as faixas etárias e nos programas e atividades que contribuem para o aprofundamento da comunhão.
Igreja é organismo: lugar onde as pessoas são valorizadas e cada uma tem a sua contribuição a dar.
Igreja: organização e organismo. As duas dimensões não se chocam. Elas se completam.
Para sermos eficientes precisamos ser organizados. Mas, não permitamos que a organização sufoque o nosso senso de comunidade. Pelo contrário, que sejamos uma igreja onde as pessoas estejam ligadas umas as outros em amor e este amor se manifeste por meio de uma profunda comunhão.
No Serviço do Mestre
Pr.Elias Neves de Souza

